Pragmatismo e quilombismo
Partindo dos percursos de uma antropologia social quanto a categoria quilombo urbano, agenciada de múltiplas formas no contexto dos movimentos sociais ligados a comunidades tradicionais e à pauta racial, esse ensaio tem como objetivo desenvolver um breve levantamento dos princípios filosóficos do método pragmatista desenvolvido por William James – suas consequências no campo epistemológico e no campo de uma ética. A partir dos avanços desses movimentos, pensamos como esses agenciamentos permitem iluminar novas perspectivas de ação e desafios associados a estruturas, categorias e posturas pluralistas
ALTHUSSER E A BUSCA DE UMA FILOSOFIA PARA O MARXISMO
Luiz Fernando Fontoura Lira Hoje, dia 22 de outubro de 2020, completam 30 anos do falecimento do filósofo franco-argelino Louis Althusser (1918-1990). Para não deixar passar em branco esta data, decidi escrever um pequeno texto tratando da contribuição de Althusser para a filosofia no campo marxista. Dentro e fora do marxismo, as obras de Louis Althusser (1918-1990) publicadas durante os anos de 1960 e 1970 foram vistas como uma intervenção teórica bastante provocativa e cercada de polêmicas. O rigor conceitual de seus textos e sua
Em homenagem a Edgar Allan Poe
Tradução da nota biográfica do autor Edgar Allan Poe em celebração aos cento e setenta e um anos de seu falecimento. A nota, publicada no sítio eletrônico American Literature, vem acompanhada de uma introdução minha, na qual falo da presença fantasmagórica do autor americano em diversos momentos especiais de minha vida. Eu conheci Edgar Allan Poe quando tinha mais ou menos 10 anos. Foi um “mole” que os meus pais deram, com grandes consequências para toda a minha vida. A leitura de seus textos reforçou
O Hipernomadismo Tupi-Guarani, por Philippe Descola
Tradução parcial da aula em que o antropólogo Philippe Descola comenta o livro Terra Sem Mal: o profetismo tupi-guarani (1978), de Helène Clastres, propondo uma nova leitura sobre as grandes migrações tupis-guaranis. A aula foi ministrada no anfiteatro do Collège de France, no dia 16 de março de 2016, fazendo parte do curso Les usages de la terre. Cosmopolitiques de la territorialité (2015-2016), disponível aqui. Resumo do curso, pelo autor, disponível aqui. (…) Vamos examinar agora um caso de desterritorialização. A América do Sul, de
Campanha: Renan, rumo ao doutorado na Universidade de Westminster!
Renan Porto foi aluno do mestrado em Teoria e Filosofia do Direito do PPGD/UERJ entre 2016 e 2017, finalizando o curso com uma brilhante dissertação intitulada Políticas de Riobaldo: a justiça jagunça e suas máquinas de guerra. A sua reflexão sobre o escritor Guimarães Rosa, permeada por seu engajamento no direito, na literatura e na poesia, fez parte da motivação inicial para a criação do grupo Direito, Pragmatismos e Filosofia, em 2019. Com a certeza de que Renan Porto continuará o seu criativo e relevante
Cotidiano distópico – conexões entre a ficção e a vida atual
“A ficção científica costuma ser descrita, até mesmo definida, como extrapolação. Espera-se que o escritor de ficção científica tome uma tendência ou fenômeno do presente, purifique-o e intensifique-o para efeito dramático e estenda-o ao futuro.”[1] É assim que Ursula K. Le Guin começa a introdução do livro A mão Esquerda da Escuridão, um clássico da ficção científica, que, em linhas gerais, se propõe a pensar o contato político entre humanos e uma sociedade não organizada de acordo com o gênero. Nos termos da citação inicial,
Notas do subsolo (Fiódor Dostoiévski), parte I:
Nas primeiras linhas de “Genealogia da Moral”, Nietzsche anuncia a profundidade do desconhecimento do ser humano acerca de sua humanidade e de sua condição enquanto Humano 1. As notas do subsolo, extremamente curtas se comparadas com outras obras reconhecidamente extensas do romancista russo, não deixam a desejar em profundidade literária em momento algum por seu número de páginas. O diálogo constante com o psicológico, a loucura e o absurdo são elucidados ao final do livro com a expressão “vida vivida”. A vida vivida não é
Direito e Literatura: uma ilusão interdisciplinar?
Comentário ao artigo de Julie Stone Peters, intitulado Law, literature and the vanishing real: on the future of an interdisciplinary illusion, de 2005. O artigo completo, contendo esse comentário, será publicado no livro do I Seminário Internacional Trabalho das Linhas: Estética, Política, Direito (no prelo), que está sendo co-organizado com o Laboratório Moitará. Crédito da imagem: René Magritte, La Reproduction Interdite, 1937. Direito e Literatura: uma ilusão? O artigo de Julie Peters Law, literature and the vanishing real: on the future of an interdisciplinary illusion (2005)
Brutalismo do Antropoceno
Tradução da entrevista concedida pelo filósofo Achille Mbembe ao canal France Culture sobre o seu novo livro Brutalisme (La Découverte, 2020), realizada no dia 25 de janeiro de 2020. Pela proximidade entre o que Mbembe denomina de brutalismo e o contexto brasileiro, escolhemos, para ilustrar esta publicação, uma imagem das demolições realizadas na comunidade Vila Autódromo, removida quase completamente sob o pretexto da construção do Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Introdução Brutalismo. A palavra refere-se, espontaneamente, a um movimento arquitetônico famoso pelo uso eficiente
Logan and the Fellowship Concept
Texto originalmente publicado aqui em 20/12/2017. Uma versão em português se encontra mais abaixo, feita por Milton Barboza. It is widely recognized as a truth about the scientific activity that, once the researcher begins to study a topic, he begins to see his object of study everywhere. If this actually happens to you, fellow researcher, this is a sign that you are following the right path. If it doesn`t happen to you, well… Find another object. My object of study is the eternal debate community









