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Podemos dizer, sem dúvida alguma, que as obras Por Marx e Ler O capital[i], publicadas em 1965, foram as mais impactantes do filósofo franco-argelino Louis Althusser. Nelas encontramos grande parte de seu projeto filosófico, que consistia em conferir um status cientifico ao trabalho desenvolvido por Marx a partir de 1857, mais especificamente, em sua obra de maturidade, O capital. Nesses dois textos Althusser utiliza o conceito de “corte epistemológico” para desenvolver a ideia de que o trabalho de Marx sofreu uma mudança repentina, ao passar

“ A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer.”                                                                                                               Graciliano Ramos “[…] Vou escrevendo meus versos sem querer, como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos, como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse, como dar-me o sol de fora. Procuro dizer o que sinto sem pensar em que sinto. Procuro encostar as palavras à ideia e não precisar dum corredor do pensamento para as palavras. Nem sempre consigo sentir o que

Fannie Lou Harmer foi uma importante ativista pelos direitos civis dos negros americanos. Sua Freedom Farms tornou-se um modelo cooperativo projetado para oferecer justiça econômica aos agricultores negros mais pobres do sul da América. Além da atividade política, Harmer também atuava na comunidade religiosa, onde muitos ativistas encontravam amparo também para suas reivindicações políticas. A potência de sua voz nos encontros religiosos ou nas caminhadas pelos direitos civis foi uma de suas importantes contribuições aos seus companheiros e aqueles que vieram depois. Divulgamos aqui o álbum

Notas para uma nova relação filosófica entre o material e imaterial Para os povos não-ocidentais a relação com a natureza não é exatamente uma relação. Os corpos humanos são tão parte do (que a cultura ocidental convencionou chamar de) meio ambiente quanto a água dos rios, o vento, as árvores e os animais irracionais. Assim, o planeta é tido como uma imensa casa coletiva, onde cada ser animado, inanimado, material ou etéreo tem funções bem definidas e interdependentes. Mesmo com o advento do sistema exploratório

Robert Richardson, premiado biógrafo de pensadores como Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau e William James, faleceu no dia 16 de junho deste ano (2020). Através da tradução do prólogo do livro William James: In the Maelstrom of American Modernism (2006), prestamos a nossa homenagem e indicamos os seus livros para os leitores deste site. Para acessar a versão original do texto, publicada no Blackbird Archive, consultar aqui. Prólogo do livro William James: In the Maelstrom of American Modernism (2006), por Robert Richardson Ele já

Vamos encarar. Somos desfeitos uns pelos outros. E se não o somos, falta algo em nós. Judith Butler É notório que, durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, os casos de violência de gênero aumentaram significativamente. Com o afrouxamento dos laços sociais externos ao ambiente familiar e a crise econômica decorrente do isolamento, ficou evidente que o marcador de gênero opera como verdadeira ordem classificatória de precarizações. Nesse sentido, poderíamos fazer referência ao aumento dos casos de violência física contra mulheres, bem como ao número

Este ensaio é um diálogo com o livro Avian Reservoirs: virus hunters & birdwatchers in Chinese sentinel posts (2020), do antropólogo Frédéric Keck. Em sua inovadora pesquisa, Keck observa que o enfrentamento às epidemias acelera a difusão de dispositivos de caça, antecipação e sentinela. Diante das novas condições, como poderíamos pensar o funcionamento das democracias? No Brasil, estaríamos vivendo uma batalha das sentinelas? Introdução: Kafka e a Justiça como caça No capítulo VII de O processo, segundo a divisão proposta por Max Brod, Josef K

Tradução do artigo”Proposal for a “black commons”” de Susan Witt, Diretora Executiva do Schumacher Center for a New Economics. O artigo completo poderá ser acessado aqui. Proposta para um “Black Commons” para fins de discussão – comentários muito bem-vindos Resumo da proposta Durante décadas, fundos fundiários comunitários [Community Land Trusts] possibilitaram que as comunidades locais criassem oportunidades acessíveis de aquisição de moradia, fornecendo acesso de baixo custo a terras comunais, permitindo a propriedade privada das casas nessas terras. Nossa proposta é adotar a estrutura desses

Tradução do artigo “Land loss has plagued black America since emancipation – is it time to look again at ‘black commons’ and collective ownership?”, publicado por Julian Agyeman, Professor de Política e Planejamento Urbano e Ambiental da Tufts University e Kofi Boone, Professor de arquitetura paisagística no College of Design, North Carolina State University, no portal The Conversation. O artigo original e completo poderá ser acessado aqui. A perda de terras tem atormentado a América negra desde a emancipação – é hora de olhar novamente

Texto originalmente publicado em: https://medium.com/@guilhermealfradiqueklausner/projeto-de-proposta-de-comunica%C3%A7%C3%A3o-no-semin%C3%A1rio-desobedi%C3%AAncias-e-democracias-radicais-a-pot%C3%AAncia-54e156672012. Trata-se de uma exposição da Seção 2 do texto “O Comum no Capitalismo Maquínico” feita no âmbito Seminário “Desobediências e Democracias Radicais: a potência comum dos direitos que vêm”. Então, minha fala hoje, até mesmo em razão do tempo, vai ser uma apresentação de um tema que eu comecei a tratar na minha monografia da pós-graduação de uma forma bem superficial, porque ele se inscrevia no limiar do meu objeto. Ao mesmo tempo que eu descobri que ele era fundamental

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