O Hipernomadismo Tupi-Guarani, por Philippe Descola
Tradução parcial da aula em que o antropólogo Philippe Descola comenta o livro Terra Sem Mal: o profetismo tupi-guarani (1978), de Helène Clastres, propondo uma nova leitura sobre as grandes migrações tupis-guaranis. A aula foi ministrada no anfiteatro do Collège de France, no dia 16 de março de 2016, fazendo parte do curso Les usages de la terre. Cosmopolitiques de la territorialité (2015-2016), disponível aqui. Resumo do curso, pelo autor, disponível aqui. (…) Vamos examinar agora um caso de desterritorialização. A América do Sul, de
Campanha: Renan, rumo ao doutorado na Universidade de Westminster!
Renan Porto foi aluno do mestrado em Teoria e Filosofia do Direito do PPGD/UERJ entre 2016 e 2017, finalizando o curso com uma brilhante dissertação intitulada Políticas de Riobaldo: a justiça jagunça e suas máquinas de guerra. A sua reflexão sobre o escritor Guimarães Rosa, permeada por seu engajamento no direito, na literatura e na poesia, fez parte da motivação inicial para a criação do grupo Direito, Pragmatismos e Filosofia, em 2019. Com a certeza de que Renan Porto continuará o seu criativo e relevante
Cotidiano distópico – conexões entre a ficção e a vida atual
“A ficção científica costuma ser descrita, até mesmo definida, como extrapolação. Espera-se que o escritor de ficção científica tome uma tendência ou fenômeno do presente, purifique-o e intensifique-o para efeito dramático e estenda-o ao futuro.”[1] É assim que Ursula K. Le Guin começa a introdução do livro A mão Esquerda da Escuridão, um clássico da ficção científica, que, em linhas gerais, se propõe a pensar o contato político entre humanos e uma sociedade não organizada de acordo com o gênero. Nos termos da citação inicial,
Notas do subsolo (Fiódor Dostoiévski), parte I:
Nas primeiras linhas de “Genealogia da Moral”, Nietzsche anuncia a profundidade do desconhecimento do ser humano acerca de sua humanidade e de sua condição enquanto Humano 1. As notas do subsolo, extremamente curtas se comparadas com outras obras reconhecidamente extensas do romancista russo, não deixam a desejar em profundidade literária em momento algum por seu número de páginas. O diálogo constante com o psicológico, a loucura e o absurdo são elucidados ao final do livro com a expressão “vida vivida”. A vida vivida não é
Direito e Literatura: uma ilusão interdisciplinar?
Comentário ao artigo de Julie Stone Peters, intitulado Law, literature and the vanishing real: on the future of an interdisciplinary illusion, de 2005. O artigo completo, contendo esse comentário, será publicado no livro do I Seminário Internacional Trabalho das Linhas: Estética, Política, Direito (no prelo), que está sendo co-organizado com o Laboratório Moitará. Crédito da imagem: René Magritte, La Reproduction Interdite, 1937. Direito e Literatura: uma ilusão? O artigo de Julie Peters Law, literature and the vanishing real: on the future of an interdisciplinary illusion (2005)
Brutalismo do Antropoceno
Tradução da entrevista concedida pelo filósofo Achille Mbembe ao canal France Culture sobre o seu novo livro Brutalisme (La Découverte, 2020), realizada no dia 25 de janeiro de 2020. Pela proximidade entre o que Mbembe denomina de brutalismo e o contexto brasileiro, escolhemos, para ilustrar esta publicação, uma imagem das demolições realizadas na comunidade Vila Autódromo, removida quase completamente sob o pretexto da construção do Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Introdução Brutalismo. A palavra refere-se, espontaneamente, a um movimento arquitetônico famoso pelo uso eficiente
Althusser e o conceito de sobredeterminação
Podemos dizer, sem dúvida alguma, que as obras Por Marx e Ler O capital[i], publicadas em 1965, foram as mais impactantes do filósofo franco-argelino Louis Althusser. Nelas encontramos grande parte de seu projeto filosófico, que consistia em conferir um status cientifico ao trabalho desenvolvido por Marx a partir de 1857, mais especificamente, em sua obra de maturidade, O capital. Nesses dois textos Althusser utiliza o conceito de “corte epistemológico” para desenvolver a ideia de que o trabalho de Marx sofreu uma mudança repentina, ao passar
A escrita e a experiência: primeiras impressões de uma estudante de Direito
“ A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer.” Graciliano Ramos “[…] Vou escrevendo meus versos sem querer, como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos, como se escrever fosse uma coisa que me acontecesse, como dar-me o sol de fora. Procuro dizer o que sinto sem pensar em que sinto. Procuro encostar as palavras à ideia e não precisar dum corredor do pensamento para as palavras. Nem sempre consigo sentir o que
Vestimenta de caboclo para refundar parâmetros de caça e caçador
Notas para uma nova relação filosófica entre o material e imaterial Para os povos não-ocidentais a relação com a natureza não é exatamente uma relação. Os corpos humanos são tão parte do (que a cultura ocidental convencionou chamar de) meio ambiente quanto a água dos rios, o vento, as árvores e os animais irracionais. Assim, o planeta é tido como uma imensa casa coletiva, onde cada ser animado, inanimado, material ou etéreo tem funções bem definidas e interdependentes. Mesmo com o advento do sistema exploratório
William James: In the Maelstrom of American Modernism (2006), homenagem a Robert Richardson.
Robert Richardson, premiado biógrafo de pensadores como Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau e William James, faleceu no dia 16 de junho deste ano (2020). Através da tradução do prólogo do livro William James: In the Maelstrom of American Modernism (2006), prestamos a nossa homenagem e indicamos os seus livros para os leitores deste site. Para acessar a versão original do texto, publicada no Blackbird Archive, consultar aqui. Prólogo do livro William James: In the Maelstrom of American Modernism (2006), por Robert Richardson Ele já









